Segunda, 01 de Março de 2021
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Podemos falar sobre Precarização no Mundo do Trabalho?

Particularmente minha área está cada vez mais desafiadora e ao mesmo tempo enriquecedora de experiências.

24/10/2020 17h03 Atualizada há 3 semanas
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Por: Redação
http://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2012/09/taylorismo-e-tempos-modernos-de-charles.html
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Sou enfermeiro do trabalho há 10 anos, passei por empresas de segmentos diferentes no qual me deu a possibilidade de diversas flutuações e contato com a saúde privada e pública. Particularmente minha área está cada vez mais desafiadora e ao mesmo tempo enriquecedora de experiências. Inevitavelmente o mundo sofre mudanças constantes, o acesso a informações são instantâneas e consequentemente as formas de trabalho também naturalmente estão mudando.

Questiono-me se estamos preparados para tantos avanços tecnológicos, visto que, muitas vezes vemos que o básico não é feito de forma satisfatória. A precarização no mundo do trabalho não é um assunto novo, visto que, na Revolução Industrial começamos a nos deparar com jornadas de trabalho extenuantes, má remuneração e pouca preocupação com segurança.

A pandemia da covid-19 expos nossas potencialidades e fragilidades quanto saúde. É inegável o esforço dos profissionais em saúde no combate a pandemia, entretanto, a precarização de instituições evidenciou o quanto precisamos melhorar. Eu trabalho transitando em dois estados RS e PR, vejo que ainda temos um sistema mais organizado em saúde pública. O sistema de referência e contra referência funcionam obviamente com certa morosidade, mesmo assim vemos um retorno. Como enfermeiro do trabalho vejo diariamente que nosso país infelizmente não possui como cultura a forma preventiva em saúde. Vejo que o modelo de atenção básica em saúde é muito consistente, entretanto, culturalmente o brasileiro utiliza a atenção secundária para auxilio gerando a superlotação em hospitais par casos simples, no qual a atenção básica conseguiria resolver. 

Quando falamos em precarização do trabalho, obviamente entendemos que é multifatorial, entretanto, cito um fator importante que muitas vezes torna-se a questão principal: gestão. Muitas vezes a gestão irresponsável, opressiva, faz com que a precarização do trabalho torna-se letal, causando danos irreversíveis para o trabalhador. Geralmente associamos com trabalhadores braçais e/ou de baixa qualificação. No entanto com a pandemia, o excesso de trabalho e pressão em home office e home work já começa a ser evidenciado. Há algum tempo vemos um número crescente nos processos de assédio moral e afastamentos psiquiátricos. De acordo com pesquisa realizada pela International Stress Management Association (Isma), 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros sofrem com o problema. Há uma precarização do trabalho indireta onde são expostas as fragilidades da empresa responsabilizando os trabalhadores pela sobrevivência da empresa como também a precarização objetiva ou direta, sendo determinada pelos tipos e contrato do trabalho. As mudanças na legislação trabalhista por si só podemos escrever um novo artigo, mas certamente contribuem para que a precarização do trabalho seja evidenciada. No atual momento possuímos 13 milhões de desempregados no Brasil, além da baixa qualificação, essas diferentes formas de relação entre empregado x empregador corrobora para que as dificuldades permaneçam. Estou extremamente temeroso para o ano de 2021, o que esperar? Devido aos resquícios da pandemia acachapante que está nos afetando em 2020, nosso crescimento para o ano que vem não será o esperado, afetando a economia.

 Fazendo uma autorreflexão na minha área, vejo que a Educação, sim com E maiúsculo será sempre um grande balizador quando falamos em sistema de saúde. Um país que possui base forte em educação, consequentemente terá tanto usuários quanto profissionais engajados no mesmo propósito seja em qualquer serviço. Vejo que muitos profissionais não sabem conceitos básicos e onde estão inseridos, como por exemplo as definições das diferentes tecnologias em saúde. Portanto a falta de qualificação muitas vezes impossibilita fazer diagnósticos e propor melhorias em seu local de trabalho. Muitas vezes a graduação em Universidades não renomadas falha nesse sentido de dar autonomia no profissional de saúde no processo de decisão.

Referências:

http://www.dmtemdebate.com.br/bem-vindo-ao-deserto-da-precarizacao-o-mundo-do-trabalho-no-seculo-xxi/

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-37172017000100001

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Fábio Avila
Sobre Fábio Avila
Enfermeiro do Trabalho | Grupo Fleury. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
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